Qual o custo da sua moradia?

É tempo de crise! Tempo de discutirmos qual o real motivo de porque trabalhamos, quanto ganhamos, o que fazemos com o nosso dinheiro, quando dele nos é tomado pelos impostos e custo de vida e quanto estamos dispostos a nos sacrificar todos os dia para termos uma vida melhor.

A Boitempo Editorial publicou este vídeo/depoimento da arquiteta e urbanista Ermínia Maricato com o sugestivo nome “Cidade é luta de classes!” onde ela afirma “O capital financeiro da incorporação imobiliária, da construção pesada, da construção de edificações e o proprietário da terra são os principais atores que exploram o a cidade que é um negócio por excelência capitalista”.

Sabendo disso precisamos nos orientar e sermos capaz de escolher melhor o modo de vida que empregamos na cidade e entender como melhorar a relação de investimento, gastos e benefícios. O problema é que muitas vezes os fatores que deveriam diminuir esse custo, o eleva devido a outros vilões financeiros.

Ao optar por uma moradia em uma região com infraestrutura estabelecida e vasta oferta serviços ao redor diminui gastos de deslocamento investimentos e teoricamente dos preços, porém o que se estabelece é um pouco diferente influenciado pelo “capital especulativo” que passa a cobrar mais caro, pois sabe que sua escolha anterior foi primar pelo não deslocamento.
Os preços aumentam com disfarces de melhor qualidade e “customização” é disso que se vale, por exemplo, redes de supermercado que descascam a mexerica e as vendem em potinhos. Para obter preços melhores as pessoas precisam se deslocar a mercados maiores com mais ofertas de produtos, mas localizados fora dessa área, pois exigem mais espaços, exigindo longos deslocamentos. O mesmo se repete em outros setores como escolas, lojas de consumo etc.

A infraestrutura também é outro fator que encarece essas áreas, principalmente pela falta de acompanhamento dos investimentos de readequação e modernização, pois o capital construtivo, transfere a conta para o setor público, refém do capital de grandes obras que inflaciona os valores praticados e devolve serviços ruins ou subdimensionados para o que foram construídos. É normal um asfalto descolar do pavimento com após poucos meses ou então o caso da estação Mackenzie da linha 4 do Metro de São Paulo que exigirá uma demanda não suportada pelos trens que operam nesta linha e por isso sua inauguração vem sendo postergada.
As pessoas passam a ter serviços mais caros, custo de locação mais caro, infraestrutura de pior qualidade e com a ilusão de que possuem melhor qualidade de vida e invariavelmente não se preocupam com isso.

Aqueles que não conseguem ou não querem arcar com esse custo acabam encontrando moradias mais acessíveis em locais mais distantes, acabam sofrendo com o aumento do custo de locomoção, nele inclui-se o financeiro e o produtivo, também sofrem com a fragilidade da oferta de alimentos e consumo, pois as ofertas diminuem junto com uma capacidade aquisitiva menor. A infraestrutura urbana inexistente afeta diretamente a qualidade de vida e os devido a distâncias são caras e demoram a ser executadas, mais uma vez sobrecarregando os investimentos públicos.

Ou seja quando um grande empreendimento é lançado em um local já consolidado, pois ali é o local onde as pessoas querem estar. Ele demanda do Estado duas vezes o reinvestimento em infraestrutura no local onde foi construído e no destino suburbano das pessoas que ali estavam e se mudaram para longe.

A solução mais prática que deveríamos esperar dos gestores seriam aplicar algumas normativas que estimulasse a baixa deste custo para ele e transferisse para os investidores, um público consumidor mais crítico em relação à valores cobrados e principalmente estimular a integração de todas as camadas sociais que funcionaria como um indutor de redução de preço diretos e indiretos nesta região urbanizada.